André Rocha em 04/02/20

Meu bem hoje amanheceu muito nervoso
Ah, doutor peço que por isto não se zangue.
Ainda que na roupa, manchada de sangue
Não o mostre o tanto que ele é carinhoso.

Meu bem repetiu em meu corpo, a punição
Mas eu não acredito que sou tão ruim assim
Para receber de palavras a socos sem fim
No lugar do tanto que me dedico de coração.

Meu bem, não merece nem o espinho da flor
Hoje percebo que isso nem de longe é amor
O mal, chega devagar, até a primeira ferida.

Meu bem, nem o quero mal, quero distante!
Porque eu sou amor, em qualquer instante
E qualquer agressão deve ser combatida.

André Rocha
04/02/2020

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André Rocha em 04/02/20

A expectativa era a de que tudo se repetiria, mesmos lugares, pessoas e impressões, mas foi outra viagem com outras impressões. Impossível ter as mesmas impressões em São Paulo, ainda que se esteja no mesmo lugar, tentando fazer tudo igual, pois o público é outro o dia é outro, o tempo é outro!

Existe uma verdade de que São Paulo é uma cidade que nunca dorme. Como em uma gigantesca ópera, freneticamente, os atores vão se revezando no corre-corre de suas apresentações. Nos diversos palcos, os sons diversos demonstram a constante concorrência por atenção: pessoas gritando, pessoas cantando, buzinas de carros, sirenes tocando, dentre outros sons que se misturam e não conseguimos identificar, que vão alternando conforme as luzes se acendem e se apagam. Os diversos cenários que podem ser vistos, refletem as fachadas envidraçadas dos prédios mais modernos, nas quais podemos ver o contraste com o passado, de outras construções que já tiveram mais atenção, mas que hoje, a exemplo os mais idosos, contam histórias, histórias de uma cidade grande.

O grande capital humano que se mistura na grande cidade, se manifesta visualmente de diversas formas nas paredes, como grafites em cores e desenhos com alguma intenção artística, até aquelas menos ‘esteticamente belas’ nas manifestações marginais, em caracteres pouco identificáveis, usualmente chamadas de pixação.

Andando pelas ruas, podemos observar, de maneira mais próxima, a mistura de pessoas das mais variadas origens tanto brasileiras quanto de outras nações e dentre estas, facilmente podemos ver quais estão em uma situação confortável e quais ainda buscam todos os dias realizar seus sonhos, ou ter o mínimo para seu próprio sustento: muitas mãos estendidas com a palma para cima…

Outra viagem, outras impressões diante de tanta diversidade e, mesmo que na tentativa de acolher todo um mundo de braços abertos a situação pareça caótica, paixão reforçada por uma gigante cidade chamada São Paulo.

André Rocha, verão 2020.

Avenida Paulista, Domingo 19/01/2020. Foto: André Rocha
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André Rocha em 13/01/20

Não espere de mim
Não apresse meus passos!
Não me decifre (impossível)
Fique sempre alerta,
Pois dou sinais.
Às vezes sutis
Às vezes até em gritos!
Alternadamente:
Sou quem você mais ama!
Ou sou quem você mais odeia!
Sou Hitler e a Madre Tereza!
Alternadamente:
Confidente compulsivo!
Ou fechado como ostra!
Sei o que gosto ou não
Sei onde vou até me perder…
Sem a piedade de quem me odeia
(a auto piedade é dada a quem odeia)
Alternadamente:
Doce como o mais lindo sonho!
Ou amargo como o pior pesadelo!
A chuva pode ser linda na seca
Mas um pesadelo onde for demais!
Sentido nenhum faz estar só
Mas, tem horas que é excelente!
Não espere de mim
Não apresse meus passos!
Alternadamente:
Estou feliz!
Ou estou muito triste!
Sou uma antítese natural
Minha natureza me fez assim
Ora amável, ora repulsivo
Alternadamente:
Sou amor!
Ou sou ódio!
Sempre:
Humano!
André Rocha
(reflexivos dias do verão/2020)


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André Rocha em 06/10/18

Você tem o direito ao absurdo!
Tem o direito de querer ser feliz.
Tem o direito de se fazer surdo,
O direito de possuir o que quis.

O direito de escolher o que quer
Também até não querer escolher
De gostar de homem ou mulher
E até mesmo do óbvio não ver.

“És tudo da lei’, segue sua sina!
E a cada ode que nunca termina
À própria história e seus defeitos.

Tudo da lei, mesmo não querendo!
Sendo escolhido ou escolhendo,
Cada um com seus pétreos direitos.

 

André Rocha
06X2018


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André Rocha em 27/07/18

Quem dera se toda pedra no sapato
Fosse de tamanho igual em todo mundo
Se faria justa toda a dor num segundo
E das letras não me tornaria um ingrato.

Réguas, diapasões, bússolas e corações…
Medem, afinam, orientam e torturam…
Todos os dedicados que tanto juram
Se manter presos à regras e convenções.

Desde que não imagine chegar ao fundo,
Sofrer minhas dores parece sensato
Meu padrão é desviar de todos padrões

Em meus pensamentos, terreno fecundo.
Eu não sei me prender à métrica e é fato
E que me perdoem de Bilac a Camões.

André Rocha


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